Danos futuros

Parece não haver dúvidas quanto aos prejuízos à saúde mental de crianças e adolescentes por conta do uso torrencial (para não dizer constante) das chamadas redes sociais.

Países da Europa consideram a pura e simples proibição de seu uso por menores de 16 anos de idade – e, nos Estados Unidos, está próximo o dia do júri instaurado em virtude do pedido de indenização feito por uma jovem de 20 anos de idade, que acusa essas companhias de lhe estimularem o vício digital, com o que lhe advieram prejuízos mentais irreversíveis. Para muitos, é a causa da vida das conhecidas Big Techs¹.

Nada supreende quado se discute a respeito desse assunto – hoje, já se sabe que a maior parte da violência sexual contra as crianças tem início nas redes sociais, seja por conta do envio de material não solicitado, seja pela extorsão de algum material enviado, não raras vezes a quem se conhece na vida real².

Quem atua na rotina dura dos pronto-socorros sabe bem da aumento de casos de automutilação e tentativas de autoextermínio, no mais das vezes praticados por pessoas jovens, realmente muito jovens.

São danos irreversíveis, a comprometer a história de vida pessoal de muitos – e cuja conta, não tenhamos dúvidas, irá recair mais uma vez sobre o SUS.

¹ Valor Econômico, edição de 06.03.26, matéria intitulada “Nos EUA, comissão aprova projetos para segurança on-line de crianças”.

² Valor Econômico, edição de 05.03.26, matéria intitulada “Violência sexual afeta 19% das crianças no Brasil”.

Miguel Tortorelli, Presidente do Conselho de Administração do Imed.

O artigo não reflete necessariamente a opinião do Instituto e é de responsabilidade pessoal de seu subscritor.