Em 10 anos, aumentou em 40% as internações hospitalares de mulheres em razão do abuso de álcool – o que está em linha com o documentado aumento do consumo por parte delas¹. É natural, em fazão das múltiplas doenças secundárias crônicas causadas pelo alcoolismo, esperar que o sistema de saúde, cada vez mais, seja chamado a pagar essa conta.
Pagar a conta, por outro lado, está cada mais difícil às operadoras da saúde privada – e, como é dever delas garantir a assistência sem limites financeiros², não é difícil deduzir que os custos aumentarão à medida que novas necessidades forem surgindo, transformando esses planos em verdadeiros artigos de luxo.
Essas companhias, contudo, sejam quais foram as razões, podem ir à falência ou tentarem algum tipo de recuperação, extra ou judicial³. É o que fazem quando seu negócio fica inviável.
O SUS não é um negócio – não pode nem irá quebrar. O sistema pública, inquebrável, permanecerá lutando, superando a dificuldade que empresas não foram capazes de aguentar.
¹ Folha de S. Paulo, edição de 11.03.26, “Mortes de mulheres por álcool crescem 20% em uma década”
² Valor Econômico, edição de 12.03.26, “Plano de saúde não pode limitar tratamentos”
³ Valor Econômico, edição de 12.03.26, “Oncoclínicas negocia com credores e acende alerta para risco de RE”.
Miguel Tortorelli,
Presidente do Conselho de Administração do Imed.
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