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Há, da parte de atores que lidam com a saúde privada, a notícia de que algo precisa ser feito, principalmente quando o assunto é o custo para acessar os planos médicos negociados no mercado.

Uma das necessidades para tornar esses planos mais saudáveis seria priorizar, por assim dizer, a atenção primária¹, tentando prevenir ao invés de remediar (o que o SUS faz já há muito tempo). A ideia é interessante, mas as próprias operadoras, entre negativas a vender planos individuais e aumentos de preços constantes, são as primeiras a incentivar a roda eterna da troca de planos – sendo, no mínimo, duvidoso que uma operadora se preocupe em fortalecer a saúde de um paciente para que dali a dois anos seu concorrente venha a se beneficiar. É uma notícia velha.

Outra ideia é unificar a base de dados, públicos e privados, para predizer os riscos de cada paciente – e atuar antes de certas predisposições se aflorarem. O ser humano seria um verdadeiro arcanjo, se não houvesse uma tendência chamada malícia. É difícil não acreditar que isso não seja usado, apenas, para excluir os pacientes menos rentáveis. Trata-se de notícia inverossímil.

O SUS não é um negócio – não pode nem irá quebrar. O sistema pública, inquebrável, permanecerá lutando, superando a dificuldade que empresas não foram capazes de aguentar.

Na saúde privada, o tempo passa e parece que notícias boas não vão chegar.

¹Folha de S. Paulo, edição de 24.04.26, artigo de Wadih Damus, presidente da ANS, intitulado “Saúde suplementar exige novo paradigma regulatório”.

Miguel Tortorelli, Presidente do Conselho de Administração do Imed.

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