Contratos

É questão de 10 anos: está próximo o dia em que metade da totalidade dos custos com saúde sejam destinados a quem tem mais de 50 anos de idade¹.

Será um tempo de grandes desafios – porque será um tempo de envelhecimento populacional e, com ele, é inevitável o maior número de doentes a tratar. É improvável que esse venha a ser um problema da saúde privada: o sistema ainda se baseia em muitos jovens, que pouco usam o plano médico, pagando a conta de poucos idosos, que o usam bem mais.

Não é algo sustentável – e, para variar, essa conta será repassada ao SUS. Não será a única.

Na Argentina, sabe-se que 1/3 dos estudantes do ensino médio usam o tal do cigarro eletrônico, vulgo vape². Não deve ser muito diferente no Brasil – e, cedo ou tarde, a conta pulmonar e cardiovascular baterá à portas da sociedade, e não será paga pela indústria do tabaco.

São contratos que assinamos hoje para pagarmos amanhã – e se existe alguma incerteza quanto à extensão do seu preço, não há dúvida de que o SUS irá encará-lo, seja ele qual for.

¹Valor Econômico, edição de 12.05.26, matéria intitulada “Consumo de saúde da população de mais de 50 anos deve dobrar até 2044”.

²Folha de S. Paulo, edição de 08.05.26, matéria intitulada “Argentina libera venda de vapes sob protesto de entidades médicas”.

Miguel Tortorelli, Presidente do Conselho de Administração do Imed.

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