Policlínica de Formosa alerta para sinais da fibrose cística
Doença genética pode afetar principalmente os pulmões e o sistema digestivo; diagnóstico e acompanhamento são fundamentais para a qualidade de vida
A Policlínica Estadual da Região do Entorno – Formosa chama atenção para a fibrose cística, uma doença genética que afeta principalmente os sistemas respiratório e digestivo. A condição provoca alterações na produção e na eliminação das secreções do organismo, tornando o muco mais espesso e difícil de ser eliminado. Por ser uma doença hereditária, não é contagiosa e pode se manifestar ainda nos primeiros anos de vida, embora alguns casos sejam identificados somente mais tarde.
Entre os sinais que podem levantar suspeita estão tosse persistente, produção frequente de secreção, infecções respiratórias recorrentes, chiado no peito, dificuldade para ganhar peso e crescer, além de alterações digestivas. Outro sinal característico pode ser o suor com concentração elevada de sal. A intensidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa, e nem sempre a presença de um único sinal significa que exista a doença, sendo necessária uma avaliação médica para investigar cada caso.
De acordo com a médica Caroline Dalva, o reconhecimento dos sinais pode contribuir para que a investigação aconteça mais cedo. “A fibrose cística pode apresentar manifestações diferentes de acordo com a idade e com cada paciente. Tosse persistente, infecções respiratórias repetidas e dificuldade para ganhar peso são situações que merecem atenção, principalmente quando aparecem de forma recorrente. A investigação adequada permite esclarecer a causa desses sintomas e, quando necessário, iniciar o acompanhamento o quanto antes”, explica.
No Brasil, uma importante ferramenta para a identificação da doença é o Teste do Pezinho, realizado nos primeiros dias de vida. Quando o resultado indica alteração, são necessários exames complementares para confirmar ou descartar a fibrose cística. O diagnóstico também pode acontecer posteriormente, especialmente quando a pessoa apresenta sintomas compatíveis que permanecem sem uma explicação definida. Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as possibilidades de organizar um acompanhamento adequado e prevenir ou controlar complicações.
Por ser uma doença crônica, a fibrose cística exige acompanhamento contínuo e uma abordagem individualizada. O tratamento pode envolver diferentes profissionais e medidas específicas para cada paciente, incluindo cuidados para facilitar a eliminação das secreções respiratórias, acompanhamento nutricional, medicamentos e tratamento das infecções quando indicadas. A adesão ao acompanhamento também é importante para monitorar a evolução da doença e adaptar as estratégias de cuidado ao longo do tempo.
A médica da Policlínica destaca ainda que o acompanhamento não deve ser interrompido mesmo quando o paciente apresenta melhora. “O tratamento da fibrose cística é contínuo e precisa acompanhar as necessidades de cada pessoa. Mesmo nos períodos em que os sintomas estão controlados, manter as consultas, os exames e as orientações da equipe de saúde é fundamental. O objetivo é preservar a função dos órgãos afetados, reduzir complicações e proporcionar mais qualidade de vida ao paciente”, ressalta Caroline.
A presença de sintomas respiratórios persistentes, infecções que se repetem, dificuldade de crescimento ou ganho de peso e alterações digestivas deve ser avaliada por um profissional de saúde. Em situações de piora importante da respiração, falta de ar, febre persistente ou alteração significativa do estado geral, a recomendação é buscar atendimento médico. O diagnóstico não deve ser feito apenas pelos sintomas, e nenhum medicamento deve ser utilizado por conta própria.

